
As orquídeas epífitas são, por sua natureza, tão pouco exigentes que sobrevivem com o mínimo de elementos nutritivos que o seu ‘habitat” aéreo lhe oferece, entretanto, abundantemente sob a forma de minúsculas partículas de poeiras e detritos vegetais oriundos dos raminhos e folhas em vias de decomposição, bem como de inúmeros microseres mortos e dejeções das aves que pousam entre as touceiras das orquídeas.
Se é verdade que nas árvores do seu habitat, as orquídeas se acham expostas a todas as intempéries, não é menos verdade que se encontram bem protegidas contra os raios
escaldantes do sol do meio-dia, pelos ininterruptos movimentos das folhagens da árvore que lhe serve apenas como suporte (hospedeira).
Os sulcos profundos que percorrem a casca rugosa em todas as direções oferecem às raízes, a necessária sombra e frescor. As águas da chuva, descendo ao longo das hastes e troncos, desprendem e arrastam minúsculas frações de casca de árvore, poeiras, excrementos de aves, insetos mortos, folhagem secas, que se alojam nas rugas e fendas da casca, onde se constituirão em uma verdadeira fonte de material orgânico, os quais irão liberar os nutrientes e compostos orgânicos durante a fase final de sua decomposição, através das chuvas e do orvalho noturno. Este material orgânico é renovado continuamente e que sempre estará a disposição das plantas quando estes estiverem solubilizados.
Nas matas, períodos de neblinas densas envolvem a planta toda num véu refrescante, cuja umidade se infiltra entre os pequenos ramos de musgos, líquens e himenofiláceas que formam um tapete refrescante ao redor do pé da orquídea, onde se condensam e se transformam num reservatório de água, de onde a planta a retira em caso de necessidade. Porém, as neblinas passam tão depressa como vêm, ficando desta maneira afastado o perigo que a planta sofra de umidade excessiva. Além da abundância de luz, há a abundância de ar, porém, os ramos e as folhagens das árvores protegem as orquídeas contra as grandes ventanias e correntes frias de ar, que são por elas desviadas ou enfraquecidas.
Entre os pseudobulbos, depositam-se poeiras de origem bem diversa, tais como folhas secas, galhos mortos, excrementos de aves que visitam as touceiras das orquídeas , bem como os cadáveres de inúmeros micro e macroseres, cujo conjunto constitui numa inesgotável fonte de material orgânico, que se renova sem a mínima interrupção. Assim, explica-se como as orquídeas, no seu habitat natural, prosperam admiravelmente. Porém, quando cultivamos essas maravilhosas plantas longe de seu habitat natural (onde a mãe natureza lhe fornece a proteção e a sua alimentação de modo equilibrado e balanceado), procuramos imitar ao máximo o ambiente em que vivem, bem como, adotar uma adubação química/orgânica que reflita ao máximo o sistema de nutrição que ocorre na natureza e assim cresçam vigorosas e saudáveis.
Habitat das Orquídeas
Para se falar sobre a adubação de orquídeas, deve-se compreender o ambiente em que elas vivem, pois, através da observação do seu habitat (quando possível) é que são adotados os seus tratos culturais, tais como: as regas (freqüência e quantidade), a escolha do substrato, o local ideal para cultivá-la, a luminosidade mais adequada, a umidade atmosférica mais adequada, a correta adubação através de adubos químicos (pó granulado ou líquido) e orgânicos em termos de dosagem (quantidade) e freqüência (intervalo em que se deve fornecer os nutrientes. As orquídeas são as que possuem como habitat as árvores e como tais são chamadas de epífitas (orquídeas, bromélias, cactos tropicais), um termo designado a todas as plantas que se desenvolvem nos troncos das árvores, em busca do sol para realizar a fotossíntese e sintetizar o seu próprio alimento. Por serem auto-suficientes quanto à síntese do alimento, elas não podem ser chamadas de plantas parasitas (definição para seres vivos que utilizam um hospedeiro de onde retiram o alimento que ele sintetiza). As orquídeas epífitas atuais, para sobreviverem nas árvores, onde há escassez de água e nutrientes (ambiente equivalente a um deserto) desenvolveram mecanismos físicos e fisiológicos para se adaptarem a essas condições adversas ao longo do processo evolutivo de milhões de anos. A falta de água por períodos longos, selecionou plantas com a capacidade de absorver água em grande quantidade e em pouco tempo.
Por que tem que adubar as Orquídeas?
As orquídeas, quando cultivadas em ambiente artificial, mais cedo ou mais tarde precisarão receber todos os nutrientes essenciais através de uma adubação balanceada e em doses homeopáticas. No cultivo artificial, quando se usa um substrato que possua todos os nutrientes (ex.: fibra de xaxim) a adubação se fará necessariamente no segundo ano de cultivo, devido ao esgotamento dos nutrientes presentes no substrato (causados pela absorção e lixiviação). Porém, quando o substrato utilizado for de baixa ou de nenhuma fertilidade, a adubação será necessária desde o início do plantio, quando esta estiver enraizada, pois a única fonte externa de nutrientes será dada através da adubação artificial (quando cresce no seu habitat natural, a própria natureza fornece a alimentação necessária para o desenvolvimento da planta). Uma vez diluído o adubo químico(pó/líq.) ou o adubo orgânico (em forma de calda) na água, poderá ser utilizado tanto para regar os vasos, como utilizar nas pulverizações das orquídeas.
Quando a adubação for através da rega dos vasos, a freqüência entre elas será mensal. No intervalo entre as adubações, será regada com água pura para retirar o excesso de sais que porventura tenha se acumulado. No caso das pulverizações, a freqüência será de uma semana, sendo que no intervalo será feita pulverizações com água pura, para que não haja o acúmulo de sais na parte aérea da planta. Independente do tipo de adubo químico(pó/líquido), devemos escolher aquele que possua todos os elementos químicos essenciais para um desenvolvimento saudável. Uma vez escolhido o adubo químico, a freqüência da adubação e a necessidade das doses homeopáticas, fica uma dúvida:
Qual é a quantidade ideal para que a concentração dos nutrientes na água seja “homeopática”?
A quantidade ideal gira em torno de 0,5 a 1,0 grama/litro de água ou de 0,5 a 1,0 ml/litro de água pura. Nessa quantidade, os nutrientes ficam tão diluídos (na ordem de parte por milhão – ppm) na água, que a sua concentração é muito inferior a concentração plasmática das células do tecido das orquidáceas. Nessas condições, possibilita que a planta selecione os nutrientes de que necessita, e evita-se que os sais entrem na planta por osmose, ou seja, de uma concentração elevada de sais na água das regas, a planta absorverá sem controle uma grande quantidade de sais e perderá água em contato com a solução concentrada.
Os nutrientes que as Orquídeas necessitam
Nutrição vegetal
As orquídeas, como seres vivos que são, para se desenvolverem e florescerem
adequadamente (em cultivo artificial ou no seu habitat) necessitam retirar do meio que as rodeiam as substâncias que são necessárias ao seu metabolismo.
. A alimentação das orquídeas dá-se por três meios distintos: Pelas raízes, absorvendo todos os elementos químicos (compostos orgânicos resultantes da decomposição da matéria orgânica e dos macro e micronutrientes dissolvidos na água das chuvas, das regas ou do orvalho).
. Através dos estôrnatos da superfície das folhas, e em especial da sua face inferior, que absorvem líquidos que podem conter elementos nutritivos.
. Por fim, assimilando pelos poros/estômatos de sua superfície o gás carbônico (CO2) presente na atmosfera. A absorção de alimentos pelas raízes só é possível se as plantas possuírem raízes desenvolvidas e saudáveis; por isso a adubação não faz efeito quando são recentemente transplantadas ou mal enraizadas. Podemos afirmar que a fibra de xaxim contém todos os elementos necessários para a perfeita e completa alimentação da planta, pelo menos durante o primeiro ano de plantio. Depois, sente-se um lento esgotamento do substrato em conseqüência principalmente da lavagem de substrato pelas regas excessivas e pelas chuvas prolongadas ou muito fortes.
Depois, pela decomposição da matéria orgânica do substrato, a perda é substituída, porém, esta substituição tem um limite, e depois de um ano, estando a orquídea já bem enraizada e viçosa, começa a faltar-lhe o alimento. Orquídeas cultivadas em estufas ou em terraços, onde não recebem chuvas, não estão sujeitas a essa perda de nutrientes e por isso demonstram geralmente maior vigor. A partir do segundo ano, depois do transplante, é vantajoso aplicar-lhe adubos químico (fornece os macro e micronutrientes) e orgânico (fornece os compostos orgânicos) para suprir a sua falta. O adubo químico ideal, como foi dito, deve conter todos os elementos químicos balanceados, e deve ser aplicado diluído na água em quantidades homeopáticas, tanto para as regas (a cada 2/4 meses) ou em pulverizações (a cada uma/duas semanas). Quando se faz uma adubação correta, a planta se beneficia, porém, uma excessiva/freqüente adubação torna-se prejudicial. Portanto, a adubação química/orgânica correta é de fundamental importância para que as orquídeas cresçam saudáveis e vigorosas.
Adubos
Conceito, descrição e tipos
Para constituir um adubo/fertilizante, um material qualquer deve conter um ou mais nutrientes de plantas, em forma disponível ou que possa ser por elas absorvidos. Os nutrientes, isto é, os elementos químicos considerados essenciais ao crescimento, desenvolvimento e produção das plantas, até o presente momento são 17:
macronutrientes: (N), (P), (K), (Ca), (Mg), (S);
micronutrientes: (B), (CI), (Cu), (Fe), (Mn), (Mo), (Zn), (Na), (Si), (Ni), (Co).
Nos adubos comerciais, todos os nutrientes, com exceção do P e K, vêm expressos em % na sua forma elementar. A concentração do fósforo vem na forma de pentóxido de fósforo (P2O5%) e o K na forma de óxido de potássio (K2O%).
Os adubos químicos encontrados no mercado possuem inúmeras formulações (ex: 30-10-10, 7-9-5, 10-5-5 etc.) e são vendidos na forma sólida (pó para diluir na água e granulado) ou na forma líquida (para ser diluída em água pura).
Na maioria dos casos, os adubos possuem os macronutrientes e eventualmente alguns micronutrientes (nem todos). Quando se fizer uma adubação, o certo é escolher aquele que possui todos os elementos químicos (macro e micro) e que seja de fácil manuseio (facilidade de medir quantidades com precisão).
Quanto à facilidade de se medir o adubo, o melhor é o líquido, a ser diluído na água pura para ser pulverizado nas orquídeas ou regado no substrato (mede-se através de conta-gotas – l5-l6 gotas correspondem a 1 ml de adubo líquido). Quando o adubo for sólido, há um inconveniente tanto para o pó quanto para o granulado. No primeiro caso, é necessário usar uma balança de precisão para medir gramas e no segundo caso (granulado), o adubo, quando colocado no substrato, prejudica-o, criando zonas de alta concentração de sais nas proximidades dos grânulos.
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