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Nerium oleander

Ainda que esta não seja uma típica planta de interiores, decidi destacá-la, como um alerta, visto que se trata de uma espécie frequentemente utilizada no paisagismo de condomínios residenciais, empreendimentos comerciais, e mesmo nas calçadas e praças públicas.

O Nerium oleander, popularmente chamado de espirradeira, é altamente tóxico. O contato com sua seiva de aspecto leitoso pode causar irritações na pele, além de um grande desconforto gástrico, caso alguma parte da planta seja ingerida acidentalmente.

No entanto, a fama assustadora que o oleandro carrega tem lá suas pitadas de exagero. Chamada por muitos de a planta mais venenosa do mundo, a espirradeira não causa maiores problemas, caso seja manuseada com cuidado e mantida longe do alcance de crianças pequenas e animais domésticos.

Deve-se apenas evitar a ingestão ou o contato com o látex que o Nerium oleander costuma liberar, quando algum segmento de seu tecido vegetal é seccionado.

Estão presentes na seiva da espirradeira as substâncias químicas oleandrina e neriantina, assim nomeadas como derivações do nome científico da planta, Nerium oleander. Estes compostos pertencem a um grupo de moléculas ativas denominadas cardenolídeos, esteroides capazes de exercer uma série de efeitos no tecido cardíaco.

O interessante é que estes compostos químicos podem apresentar, ao mesmo tempo, propriedades terapêuticas ou venenosas, dependendo da dosagem e da forma de sua utilização. Ainda assim, o mais comum é que ocorram relatos de acidentes decorrentes do contato de humanos ou animais de estimação com a seiva tóxica do oleandro.

Também há registros de que a ingestão da espirradeira era utilizada como uma forma de tentativa de suicídio, durante a antiguidade, muito embora sejam raríssimos os casos de mortes causadas por esta planta.

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A espirradeira faz parte da família botânica Apocynaceae. É uma planta de porte arbustivo, mas que pode atingir cinco m de altura, assumindo o aspecto de uma arvoreta. A espécie Nerium oleander é nativa de países localizados ao norte do continente africano, na porção leste da região do Mediterrâneo, como em Portugal, assim como no sul da Ásia.

Ainda que seja uma planta exótica, aqui no Brasil, a espirradeira adaptou-se muito bem aos climas tropical e subtropical do país, sendo amplamente cultivada devido às suas características ornamentais.

Ainda que a espirradeira com flores rosadas seja a mais comumente encontrada, também existem variedades capazes de produzir flores brancas, amarelas ou mais avermelhadas. Suas pétalas podem ser simples ou dobradas. As florações do oleandro costumam acontecer durante os meses mais quentes do ano, na primavera e verão.

O aspecto vegetativo do Nerium oleander também é bastante ornamental, com folhas alongadas e lanceoladas. Existem variedades na versão variegata, além daquelas de menor porte, que são ideais para coberturas e varandas ensolaradas de apartamentos.

Sob estas condições domésticas de cultivo, é importante que o oleandro seja plantado em um vaso grande, com abundante espaço para o desenvolvimento das raízes. O espaço disponível para estas estruturas influenciará na altura e diâmetro da copa que o arbusto poderá atingir.

Além de espaçoso, o vaso precisa ter furos no fundo e uma boa camada de drenagem, geralmente montada com argila expandida. No entanto, pode ser utilizado qualquer material particulado, como cacos de telha, brita ou pedrisco.

Ainda que seja uma planta bastante rústica e resistente, a espirradeira irá se desenvolver melhor se cultivada em solo rico em matéria orgânica. O aspecto e coloração da folhagem ficarão mais atraentes, sob estas condições de cultivo. É importante que a terra não seja muito compactada. Solos aerados e facilmente drenáveis são os ideais para o cultivo do oleandro.

Nerium oleander7

O Nerium oleander é um arbusto capaz de sobreviver a longos períodos sem ser regado, principalmente quando é plantado em áreas externas, diretamente no chão.

Em calçadas, jardins e praças públicas, as plantas são mantidas pela própria natureza, que se encarrega de irrigá-las com a água das chuvas. No cultivo doméstico, principalmente em vasos e áreas cobertas, as regas devem ser mais frequentes quando a planta é jovem, ou quando a muda for recém-plantada. Posteriormente, pode-se espaçar mais a frequência das irrigações, principalmente durante o inverno.

Ainda que a espirradeira não seja muito exigente quanto à adubação, suas florações podem ser incentivadas com a aplicação de um fertilizante mais rico em fósforo.

Existem formulações próprias para espécies floríferas, à venda em lojas de jardinagem ou mesmo em supermercados. Para uma maior praticidade, pode-se misturar grânulos de adubo que apresentam liberação lenta, ao solo em que o oleandro é plantado.

O Nerium oleander irá produzir mais flores se for cultivado sob sol pleno, em áreas externas. Em varandas de apartamentos, as variedades anãs precisam receber o maior número possível de horas de sol por dia, para uma floração mais consistente.

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Tanto o crescimento como a forma do oleandro podem ser controlados através de podas periódicas. Este é um arbusto que se presta à arte da topiaria, por exemplo.

No entanto, é importante que estes procedimentos sejam realizados com equipamento adequado de proteção, como luvas e óculos, visto que sua seiva leitosa pode causar irritações na pele e mucosas. Após as podas, os ramos cortados podem ser utilizados como estacas, para a propagação da espirradeira.

Tomando-se os devidos cuidados, o Nerium oleander pode ser cultivado sem maiores problemas. Sua rusticidade, facilidade de manutenção e rápido crescimento, aliados à beleza e variedade das flores, justificam a popularidade do oleandro como planta ornamental, principalmente em áreas externas, sob sol pleno.

Além disso, as variedades de menor porte podem trazer cor e alegria para apartamentos, em varandas mais ensolaradas.

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OBS: Este site não trabalha com vendas de plantas,sementes e afins, apenas são postados artigos com informações sobre como cultivar as plantas. Você pode adquirir sua planta desejada em qualquer bom Garden Center de sua região.


Alstroemeria hybrida6

As pequenas e delicadas flores da astromélia, que lembram lírios em miniatura, costumam suscitar uma série de dúvidas quanto à sua identidade e nomenclatura. Afinal, qual é o termo correto?

Embora sejam popularmente conhecidas como astromélias, aqui no Brasil, estas flores são produzidas por uma planta cujo nome científico é Alstroemeria. E, ao contrário do que parece, não se tratam de lírios verdadeiros, uma vez que fazem parte da família botânica Alstroemeriaceae, e não Liliaceae.

Ainda assim, a astromélia é popularmente conhecida como lírio dos incas ou lírio peruano. O fato é que, culturalmente, temos o costume de apelidar de lírios várias outras plantas que não necessariamente pertencem ao gênero Lilium ou à família Liliaceae. É o que acontece com o lírio da paz, por exemplo, cujo nome científico é Spathiphyllum wallisii, pertencente à família das aráceas.

As astromélias são plantas típicas do continente americano, ocorrendo predominantemente na América do Sul. Apesar do apelido lírio peruano, os principais locais de ocorrência das espécies de Alstroemeria são Chile e Brasil.

As astromélias chilenas são conhecidas por seu desenvolvimento nos meses de inverno, ao passo que as espécies brasileiras crescem mais durante o verão.

No entanto, a vasta maioria dos exemplares que encontramos no mercado, atualmente, são híbridos e cultivares desenvolvidos pelos produtores, ao longo de décadas de cruzamentos seletivos e melhoramentos genéticos. Estes são processos que ocorrem predominantemente nas estufas europeias, principalmente na Holanda.

Alstroemeria hybrida

A grande popularidade da astromélia na decoração de interiores, principalmente como flor de corte, levou à obtenção de híbridos nas mais diferentes colorações, que incluem o branco, amarelo, laranja, rosa, púrpura e vermelho, em tonalidades diversas.

Há também diversos cultivares bicolores. A marca registrada das astromélias é a presença de duas pétalas diferenciadas, com estampas pintalgadas, mais escuras, em estilo animal print, que são as responsáveis pela atração dos agentes polinizadores.

Além da obtenção de flores com cores variadas, os produtores usam os cruzamentos seletivos para o desenvolvimento de astromélias capazes de florescer ao longo de todos os meses do ano. Este feito é conseguido através da hibridização de espécies chilenas, cuja floração ocorre no inverno, com as espécies brasileiras de Alstroemeria, que florescem durante os meses de verão.

Desta forma, os cultivares híbridos adquirem a capacidade de florescer em diferentes épocas do ano. No cultivo doméstico, em jardins ou vasos, as astromélias híbridas apresentam o pico de floração na primavera e verão.

A astromélia está entre as flores mais populares e comercializadas, no Brasil e no mundo. Sua utilização na decoração de ambientes internos dá-se, predominantemente, como flor de corte.

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Presentear com astromélias é um ato de valorizar a amizade e as relações duradouras. Além disso, no vasto universo dos significados das flores, o gênero Alstroemeria costuma simbolizar a devoção e felicidade plena.

Muitos destes significados estão relacionados à característica de longa duração da flor da astromélia, mesmo quando cortada e mantida em vasos com água. Para que esta durabilidade se estenda por longos períodos, é importante cortar a base da haste floral, na diagonal, com um instrumento limpo e afiado.

Desta forma, os vasos condutores ficam expostos e capacitados a fornecer água e nutrientes à flor, por um período mais prolongado. De tempos em tempos, é aconselhável que este procedimento se repita, já que o tecido das pontas das hastes florais tende a apodrecer. Existem conservantes específicos para serem adicionados à água das flores de corte, aumentando sua durabilidade.

Ainda assim, é recomendável que a água do vaso seja trocada, periodicamente, para aumentar a durabilidade das flores da astromélia. Outro cuidado importante é mantê-las longe do sol direto e da chuva. O excesso de umidade pode favorecer o desenvolvimento de fungos que causam manchas no tecido vegetal destas flores.

Embora sejam bastante duráveis como flores de corte, as astromélias requerem uma série de cuidados, em relação ao seu cultivo, sendo consideradas plantas delicadas. De modo geral, suas florações são obtidas em estufas profissionais, com condições climáticas controladas.

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No cultivo doméstico, o gênero botânico Alstroemeria necessita de luminosidade abundante, com várias horas de sol pleno por dia, para que suas florações ocorram. Não se trata de uma flor para ser cultivada dentro de casas e apartamentos, onde a intensidade de luz pode ser insuficiente para desencadear o surgimento das flores.

Em áreas externas, em jardins ou vasos, a astromélia aprecia solos ricos em matéria orgânica e bem drenáveis. Esta é uma flor que deve ser protegida do frio intenso, não suportando geadas. Além disso, é aconselhável que a planta não fique exposta ao sol direto das horas mais quentes do dia, sob risco de suas folhas e flores serem prejudicadas.

As regas da astromélia devem ser moderadas, de modo que o solo permaneça levemente úmido, sem encharcamento. As raízes desta planta costumam apresentar um aspecto suculento, sendo capazes de armazenar água e nutrientes, razão pela qual a astromélia pode suportar pequenos períodos de estiagem.

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Durante as irrigações, no entanto, as flores devem ser poupadas, já que podem ficar manchadas, se molhadas com frequência. Embora não sejam perfumadas, as flores da Alstroemeria são conhecidas por atraírem abelhas, seus agentes polinizadores.

Esta é uma flor de corte, por excelência. Sua produção é mais abundante em estufas comerciais, de modo que podemos encontrá-la à venda durante o ano todo.

Neste contexto, a Alstroemeria costuma estar sempre presente em ambientes internos, mas compondo arranjos florais com diversas outras espécies.

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A costela-de-adão é uma planta com origem no México, sendo muito utilizada para decoração de ambientes internos como casas, apartamentos e escritórios. Ela deve ser cultivada em ambientes de meia sombra ou luz difusa. As folhas grandes dão vida aos espaços e trazem um pouco de verde para os lares de grandes cidades.

De porte arbustivo, a planta simboliza boas energias, e é um ótimo presente de aniversário ou de casa nova para distribuir.

Como cultivar
A Monstera deliciosa é comumente cultivada ao ar livre como planta ornamental nos trópicos e subtrópicos. A planta requer muito espaço e um solo rico e solto.

Se crescer no chão, é melhor plantá-lo perto de uma árvore, onde possa subir, se não contra uma treliça. É moderadamente ávida a água e precisa ser regada apenas para manter o solo um pouco úmido.

Sua resistência é 11 (ou seja, a mais fria a -1°C). Ele não suporta essas temperaturas por mais de algumas horas, mas pode viver fora em certas regiões (costa do Mediterrâneo, Bretanha). É preferível uma temperatura mínima constante de pelo menos 13–15°C, permitindo crescimento contínuo.

O crescimento cessa abaixo de 10°C e é morta pela geada. Ele precisa de uma exposição muito brilhante, mas não de sol pleno.

Forçar uma Monstera deliciosa a florescer fora de seu habitat tropical típico prova ser difícil. Condições específicas precisam ser atendidas para que a planta floresça. No entanto, em seu habitat tropical e subtropical, a planta floresce facilmente. Em condições ideais, floresce cerca de três anos após o plantio. A planta pode ser propagada pegando entrenós de uma planta madura.

A costela-de-adão costuma ser utilizada em jardins residenciais e comerciais. Ela também pode ser vista em decorações de ambientes internos. Na natureza, pode atingir até 20 metros e comprimento.

É uma planta ornamental que pode ser cultivada em vasos, cachepôs, em jardins terrestres e embaixo da sombra de árvores onde ela possa subir escorando nos troncos dessas árvores, formando uma belíssima composição.

Esse processo de subir nas árvores não a caracteriza como parasita, pois ela não suga a seiva dessas árvores, apenas as usa como ferramenta de sustentação.

Quando deve regar?
É preciso regar de duas a três vezes por semana, diminuindo a frequência para uma vez por semana em períodos chuvosos. Para tirar a dúvida se sua planta precisa de rega, basta utilizar a ‘regra do dedômetro’: coloque o dedo na terra, se sair limpo, sua planta está pronta para receber a rega.

Caso queira deixar as folhas mais “vistosas”, os donos de plantas também podem limpá-las com um pano úmido para retirar a poeira.

Essa planta também gosta de claridade, mas não pode ser deixada em contato direto com o sol, para não queimar as folhas.

Qual vaso ideal?
Para cuidar de uma costela-de-adão, é preciso ter um vaso 1,5 vezes o tamanho da planta, assim como ter:
* Substrato fresco, leve e com matéria orgânica;
* Boa drenagem para não acumular umidade.

É recomendado trocar o vaso e o substrato entre uma a duas vezes por ano, para o bom desenvolvimento da planta.

Quais os tipos de costela-de-adão?
O gênero Monstera, do qual integra a costela-de-adão, possui mais de 60 espécies de planta. Dentre as mais conhecidas e cultivadas, estão:
* Monstera Deliciosa;

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*
Monstera Adansonii;

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* Monstera Obliqua.

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Todas possuem origem no México, mas conseguem se adaptar ao clima tropical brasileiro.

Dúvidas frequentes
Como fazer a muda de costela-de-adão?
A muda pode ser feita a partir de galhos cortados na poda de plantas saudáveis. O ideal é fazer o corte com tesoura de jardinagem, cortando abaixo do nó e preservando a haste com 2 folhas e uma raiz aérea, cada fragmento cortado vai gerar uma nova muda a ser plantada.

Além disso, é possível realizar a:
* Multiplicação por sementes;
* Divisão de touceiras (em que se retira a planta mãe do caso e replanta os “filhotes” em vasos individuais).

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Laelia purpurata

Conhecida em todo o mundo como a representante mais emblemática do gênero Laelia, sendo chamada de Laelia purpurata há mais de um século, recentemente decidiram que ela deveria mudar de gênero botânico. Só não sabem exatamente para qual.

A distribuição natural da Laelia purpurata ocorre, predominantemente, nos estados do sul do Brasil, ainda que esta espécie também possa ocorrer no sudeste, principalmente em São Paulo.

Esta é uma orquídea frequentemente encontrada vegetando sob a forma epífita, com suas raízes aéreas aderidas aos troncos das árvores de florestas litorâneas. Curiosamente, a ocorrência natural de Laelia purpurata somente não é observada no litoral do estado do Paraná.

A descoberta da Laelia purpurata, e sua introdução no seleto mercado europeu, resultou em uma coleta predatória desta orquídea, em seus habitats de origem.

Durante a Era Vitoriana, as orquídeas eram consideradas símbolos de status e exclusividade, sendo acessíveis apenas aos mais abastados, capazes de investir elevados valores em viagens transatlânticas, para a coleta destas espécies exóticas e tropicais. Além disso, sua manutenção em solo europeu somente era possível em custosas estufas climatizadas.

Um fato curioso, típico da cobiça e vaidade humana, salvou a Laelia purpurata e centenas de outras espécies nativas brasileiras da completa extinção.

laelia purpurata algodão

Com o intuito de obter exemplares cada vez mais perfeitos, com flores simétricas e vistosas, os cultivadores passaram a realizar sucessivos cruzamentos seletivos, ao longo de décadas, na tentativa de efetuar um melhoramento genético da espécie.

Esta soberba fez com que estes exemplares melhorados, muitas vezes clonados e reproduzidos aos milhares, em laboratórios, fossem mais valorizados pelos colecionadores, atingindo grandes cifras no mercado. Desta forma, os exemplares nativos, coletados da natureza, passaram a ser considerados inferiores, em termos de forma e simetria.

Graças a esta procura por orquídeas cada vez mais perfeitas, a Laelia purpurata ainda pode ser encontrada em alguns dos seus habitats originais, ainda que em menor quantidade. Outro fator importante para a preservação da espécie foi a proibição da coleta de exemplares nativos da flora brasileira.

Ainda que esta atividade continue a acontecer, descaradamente, hoje esta prática é considerada ilegal. Em teoria, as orquídeas comercializadas, atualmente, são produzidas em laboratório, fruto de técnicas avançadas de germinação de sementes e propagação de tecidos meristemáticos.

A forma tipo da orquídea Laelia purpurata, aquela primeira descrita no século XIX, e a mais comumente encontrada na natureza, apresenta pétalas e sépalas rosadas, em um tom mais claro, com o característico labelo púrpura, que conferiu o nome à espécie.

Uma variedade bastante famosa e apreciada pelos colecionadores é a Laelia purpurata carnea. Neste caso, as pétalas e sépalas são completamente alvas, destacando um labelo em um tom rosado bem característico desta variedade, que tende ao cereja, bem claro.

Laelia Purpurata Carnea
A variedade de cores apresentadas pelas diferentes formas de Laelia purpurata é imensa. Temos exemplares com labelos em tonalidades de roxo violeta, roxo bispo, vinho, avermelhado, branco, cada qual com sua nomenclatura botânica apropriada.

A Laelia purpurata é uma orquídea de grande porte, que forma touceiras respeitáveis, quando bem cultivada. Além disso, trata-se de uma espécie que precisa de elevados níveis de luminosidade, para que possa florescer adequadamente. Estes dois fatores tornam esta planta, apesar de belíssima, uma escolha mais complicada para quem cultiva orquídeas em apartamentos.

É muito difícil que a luz fornecida por uma janela possa ser suficiente para que a Laelia purpurata floresça, em ambientes internos. Ela aprecia níveis de luminosidade semelhantes àqueles requeridos no cultivo da Cattleya labiata, por exemplo.

Já para quem dispõe de varandas ensolaradas, ou uma bela cobertura, o cultivo da Laelia purpurata é bem tranquilo. No entanto, ela precisa ser protegida do sol direto, nas horas mais quentes do dia, por uma tela de sombreamento.

O ideal é que este material seja capaz de filtrar 50% dos raios solares. O sol da manhã é o ideal para o cultivo de orquídeas, em geral. É comum observarmos, na natureza, a ocorrência de orquídeas em árvores posicionadas em locais estratégicos, que se beneficiam da irradiação solar matinal.

Casas e apartamentos com janelas ou varandas face norte são ideais para o cultivo da Laelia purpurata, uma vez que são mais ensolaradas. Já as construções voltadas ao sul são mais sombreadas, sendo apropriadas para o cultivo de orquídeas de sombra, que se contentam com menos luminosidade.

Ainda em relação à luminosidade, os híbridos descendentes da Laelia purpurata tendem a ser menos exigentes, podendo ser cultivados mais facilmente, no interior de casas e apartamentos.

Embora esteja habituada à intensa irradiação solar filtrada pelas copas das árvores, a Laelia purpurata é uma orquídea que não aprecia muito o calor. Localidades de climas muito quentes e secos costumam apresentar um desafio maior ao cultivo desta espécie de orquídea, que é típica de regiões que apresentam temperaturas amenas, de clima subtropical, mais úmidas e frias.
Laelia purpurata v. russelliana
Neste sentido, é importante manter elevados níveis de umidade relativa do ar, no ambiente de cultivo da Laelia purpurata, idealmente em valores acima de 60%. Um termo higrômetro é bastante útil, para um melhor controle da temperatura e dos níveis de umidade no local de cultivo.

Em varandas fechadas por vidro, o uso de umidificadores de ar é aconselhável. Já em localidades abertas, o ideal é recorrer às bandejas umidificadoras, aparatos contendo uma camada de areia, brita ou argila expandida, com uma lâmina de água permanente, ao fundo.

Os vasos com a Laelia purpurata assentam-se sobre este material, sem que as raízes fiquem em contato direto com a água. Desta forma, a planta beneficia-se da umidade extra proporcionada pela bandeja, sem sofrer com o encharcamento do substrato.

Por ser uma planta tipicamente epífita, o ambiente ideal para o cultivo da Laelia purpurata é sob a copa de uma árvore. Como, infelizmente, nem todos temos acesso a esta condição, fazemos uso de artifícios capazes de mimetizar este habitat.

Um método bastante utilizado, neste sentido, é colocar a orquídea em placas de madeira, cachepots vazados, pedaços de troncos ou cascas de árvore. O problema, neste caso, é que as regas devem ser constantes, já que as raízes secam rapidamente. Além disso, como a Laelia purpurata é de grande porte, e cresce rapidamente, o material precisa ser substituído ou aumentado frequentemente.

É com o intuito de facilitar o cultivo e reduzir o trabalho com manutenção que recorremos aos vasos e substratos. O vaso mais recomendado para o cultivo de orquídeas é aquele de barro, mais largo e raso, com furos nas laterais.

Esta configuração facilita a aeração das raízes, permitindo que estas estruturas sequem rapidamente, após as regas.

O vaso de plástico, por outro lado, apresenta a vantagem de ser mais leve e reter a umidade por mais tempo, diminuindo a necessidade de regas frequentes. No entanto, o cuidado deve ser redobrado, para evitar o encharcamento do substrato, por um período prolongado. Como sempre, o uso do pratinho sob o vaso é dispensável.

Conforme o recomendado para a maioria das orquídeas, as regas devem ser moderadas, sendo somente realizadas quando o substrato estiver seco. A aferição desta situação é bastante tranquila, bastando colocar o dedo sobre o material e afundar levemente. Se estiver úmido, postergamos a rega para outro dia.

O peso do vaso também é um excelente indicativo da umidade presente no substrato. Quanto mais pesado estiver, maior a quantidade de água retida dentro do vaso.

Nesta situação, o ideal é utilizarmos um substrato bastante aerado e rapidamente drenável. A composição típica para o cultivo de orquídeas epífitas é aquela mistura de casca de pinus, carvão vegetal e fibra de coco. Existem compostos prontos para este fim, à venda em casas especializadas e garden centers.

Laelia purpurata “Flâmea Sanguinea”

Alternativamente, há quem tenha sucesso no cultivo da Laelia purpurata com outros materiais, tais como brita pura, casca de macadâmia ou musgo sphagnum. Sempre vale a pena testar diferentes possibilidades, adotando aquela que melhor atende às necessidades de cada cultivador, com seus hábitos específicos de rega.

A orquídea Laelia purpurata floresce, tipicamente, durante os meses do verão. É comum termos exposições dedicadas a esta floração, nesta época do ano. Trata-se de um evento nacional. Para que tudo corra bem, é necessário adubar corretamente a planta, nos meses antecedentes a este acontecimento.

Durante o inverno, por exemplo, é importante que tanto as regas quanto a adubação sejam consideravelmente reduzidas, já que o metabolismo da planta está mais lento. O correto balanço na proporção dos nutrientes também é importante, como veremos a seguir.

A adubação da Laelia purpurata pode ser química ou orgânica. No cultivo de orquídeas, é bastante comum o uso do adubo bokashi.

As alternativas inorgânicas, industrializadas, apresentam a vantagem de fornecerem uma dose balanceada de macro e micronutrientes, em formulações específicas para cada etapa de vida da orquídea.

Existem adubos, do tipo NPK, específicos para as fases de crescimento (mais nitrogênio), manutenção (níveis equilibrados de todos os componentes) e floração (mais fósforo) de orquídeas em geral.

Alguns adubos orgânicos, quando em contato direto com as raízes das orquídeas, podem causar queimaduras. O mesmo ocorre quando o excesso de adubação química deixa resíduos de sais minerais, frequentemente acumulados no substrato.

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Embora não seja a primeira opção que me venha à mente, ao recomendar orquídeas para quem cultiva plantas dentro de casas e apartamentos, a Laelia purpurata possui atrativos inquestionáveis, que fazem com valha a pena um esforço extra para sua manutenção nestas condições não ideais.

Em interiores, é bastante frequente que uma iluminação artificial suplementar seja utilizada, principalmente em países do hemisfério norte. Além disso, varandas e coberturas ensolaradas são perfeitas para este tipo de orquídea. O importante é que as temperaturas sejam amenas e o clima não seja muito seco.

Uma das muitas icônicas orquídeas brasileiras, a Laelia purpurata é capaz de, sozinha, preencher um orquidário com as mais diversificadas cores. Além da beleza, esta espécie carrega consigo uma série de simbolismos, sendo uma das representantes mais ilustres da flora nacional.

Cada variedade traz consigo décadas de história, sendo que algumas nunca mais foram encontradas na natureza. Cultivar a Laelia purpurata é, mais do que um hobby, a sagração da arte e cultura, materializadas em forma de um ser vivo.

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